Saúde mental na escola: ⅓ dos professores da Educação Básica sofrem burnout

Saúde mental na escola: ⅓ dos professores da Educação Básica sofrem burnout

Estudo da Unifesp aponta que cerca de 1/3 dos professores da educação básica sofrem da síndrome de Burnout. O estresse no trabalho docente pode estar relacionado a diversos fatores do ambiente escolar, de fora da escola e do próprio professor.

A profissão docente é considerada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) uma das mais estressantes. Os professores enfrentam sobrecarga no trabalho, que podem desencadear doenças em decorrência do estresse ocupacional, altos níveis de ansiedade e baixa qualidade de vida.

Reconhecemos que a profissão docente é fundamental na sociedade. É uma função nobre que prepara jovens estudantes para a vida, para desenvolver suas potencialidades e transformar o mundo. No entanto, no mundo todo e não só no Brasil, professores são expostos a uma grande demanda emocional que, muitas vezes, não estão preparados – ou não foram ensinados – a gerenciar de maneira saudável e assertiva.

“Nos últimos anos, muitas ações voltaram-se para a aprendizagem socioemocional dos estudantes. Mas, na maioria das vezes, o preparo que o professor é bastante limitado, restringindo-se à apresentação de conceitos e orientações sobre como aplicar os problemas socioemocionais” — Alcione Marques, psicopedagoga e diretora da NeuroConecte.

O que é saúde mental?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) descreve a saúde mental como um estado de completo bem-estar físico, mental e social. Isto é, o professor que tem uma mente saudável:

  • Se sente bem consigo mesmo e nas relações com os outros;
  • É capaz de administrar as emoções e a vida como um todo;
  • Lida de forma positiva com as adversidades;
  • Reconhece seus limites e busca ajuda quando necessário.

A verdade é que falar sobre saúde mental na escola é mais complexo do que se imagina. É muito mais do que a falta de transtornos mentais ou uma simples tristeza. Cuidar da saúde mental e manter o equilíbrio no dia a dia é fundamental para manter a saúde física, cognitiva e emocional.

Saúde mental na escola: qual a diferença entre estresse e ansiedade?

Alguns dos sintomas característicos da síndrome do Burnout (esgotamento emocional) são o estresse excessivo e ansiedade. De acordo com Alcione Marques e Gustavo Estanislau, autores do livro “Dilemas na Educação”, “um passo importante em busca do autoconhecimento é compreender as diferenças entre o estresse e a ansiedade, já que as duas emoções apresentam sinais físicos e psicológicos”.

Estresse: O estresse costuma estar associado a eventos conhecidos, concretos e externos. Além disso, geralmente está relacionado a desafios que são passíveis de resolução.

Ansiedade: Tanto a ansiedade quanto o estresse provocam aceleração dos batimentos cardíacos, dificuldades para respirar e tensão muscular. No entanto, a ansiedade é a única que apresenta a manifestação aguda do pânico. Esta emoção costuma estar ligada a questões que, muitas vezes, não são compatíveis com a realidade.

Como combater o Burnout no ambiente escolar?

Ambiente de Trabalho Positivo:

Gestor escolar, é importante fomentar uma cultura institucional que valorize o bem-estar dos professores. Isso envolve reconhecer e recompensar os esforços, promover um ambiente de trabalho colaborativo e oferecer suporte em situações desafiadoras. Um dos maiores desafios entre os professores é a desvalorização. Por exemplo:

  • Se um estudante não consegue melhorar sua nota na matéria, a culpa costuma ser lançada sobre o professor.
  • Por outro lado, se a média da turma apresenta melhores resultados, o professor não é recompensado ou valorizado pelo desempenho.

Formação continuada em aprendizagem socioemocional

Integre módulos sobre saúde emocional e gestão do estresse nos cursos de formação inicial de professores. Isso preparará os docentes para enfrentar os desafios emocionais inerentes à profissão desde o início de suas carreiras. Além disso, é importante também estabelecer programas de mentoria em que professores mais experientes possam orientar novos colegas, compartilhando suas próprias experiências e oferecendo conselhos práticos sobre como gerenciar o estresse e preservar a saúde emocional.

Aproveite e leia também: Quais são as competências emocionais que o professor precisa desenvolver?

“O exercício da docência depende da sua autonomia, assim como poder escolher o material a ser trabalhado na sala de aula. É ele quem pode perceber, avaliar as melhores estratégias ou materiais e manejar as circunstâncias para a aprendizagem de seus estudantes.” – Adriana Fóz, Neuropsicóloga e Diretora da NeuroConecte

Escola é um espaço coletivo e colaborativo. Um dos grandes benefícios que os professores têm em sua profissão é a colaboração.

Aproveite este assunto e confira:

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Somos uma consultoria especializada em promover um ambiente escolar saudável a partir de diversas ações e produtos para educadores e gestores escolares baseados na neurociência educacional e voltados ao desenvolvimento de competências socioemocionais relacionadas a fatores de proteção para a saúde mental.

Oferecemos Consultorias, Palestras, Cursos, Treinamentos e conteúdos para que o professor amplie a compreensão sobre a dimensão emocional e a importância do  desenvolvimento de competências socioemocionais dos estudantes como caminho para a educação integral na construção das bases da saúde mental, permitindo que educadores criem  recursos para superar os desafios da vida escolar, impactando positivamente crianças e adolescentes.