Educação emocional para professores: como lidar com a frustração na escola?

Educação emocional para professores: como lidar com a frustração na escola?

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Um professor precisa lidar com uma grande gama de emoções ao longo do exercício da docência. A gestão de pessoas em sala de aula, cobrança e pressão por resultados – sejam eles positivos ou negativos -, desvalorização da profissão, entre outros fatores contribuem para aumentar o estresse.

Não é à toa que uma das emoções mais presentes na vida de um docente no Brasil é a frustração, concorda? Por isso, é importante aprender a manejar as próprias emoções para lidar com as frustrações de maneira positiva e saudável.

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“A frustração faz parte de uma vida saudável se durar apenas o suficiente para “acordar” atitudes e estratégias de superação e ser motivo de mudanças, reações positivas e aprendizados.” — Adriana Fóz, neuropsicóloga, psicopedagoga e diretora da NeuroConecte.

O que são as frustrações?

Os obstáculos que se apresentam entre nós e o que queremos podem ser associados à frustração. Ela acontece todas as vezes que o organismo se depara com um impedimento para a satisfação de qualquer necessidade ou desejo. É um estado emocional e representa a não realização de uma expectativa.

E a frustração pode ser gatilho para outras emoções, como:

  • Raiva;
  • Ansiedade;
  • Tristeza;

Entre outros sentimentos que, se não forem bem manejados, podem impactar negativamente a saúde mental e emocional. Por isso, é tão importante que a aprendizagem socioemocional esteja presente tanto na vida e formação dos professores quanto dos estudantes. Afinal, só é possível ensinar sobre as emoções se você também tiver recursos e conhecimentos para manejar as próprias emoções.

“É fundamental que se note que a saúde é uma manifestação muito mais prevalente do que a doença. Pessoas com mais conhecimento sobre saúde emocional e mental se fortalecem para viver situações complicadas e buscam auxílio quando necessário.” — Alcione Marques, psicopedagoga e diretora da NeuroConecte.

Aproveite o assunto e assista a websérie da NeuroConecte sobre saúde mental nas escolas:

6 habilidades-chave para o professor lidar com frustrações e ter uma vida mais equilibrada e saudável

  1. Gerenciamento das emoções: Aprenda a lidar com as próprias emoções diante de situações frustrantes.
  2. Identificação de obstáculos: Perceba os desafios reais e avalie quais são superáveis ou não.
  3. Dimensionamento da frustração: Aprenda a entender e avaliar a extensão de uma situação potencial frustrante.
  4. Definição de metas: Estabeleça objetivos claros e alcançáveis, tanto pessoais quanto coletivos.
  5. Planejamento e organização: Desenvolva habilidades para planejar e organizar sua vida e seu trabalho.
  6. Habilidades de relacionamento: Pratique o trabalho em equipe e a resolução colaborativa de problemas, e não hesite em buscar ou oferecer apoio quando necessário.

Saiba outras habilidades importantes para o enfrentamento do estresse e da frustração lendo o e-book: Saúde Mental e competências socioemocionais: construindo habilidades para a vida

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Quais recursos o professor pode utilizar para lidar com a ansiedade dos alunos?

Quais recursos o professor pode utilizar para lidar com a ansiedade dos alunos?

Quais recursos o professor pode utilizar para lidar com a ansiedade dos alunos?

Um mapeamento feito pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, em parceria com o Instituto Ayrton Senna, divulgado em abril de 2022, identificou que 69% dos estudantes da rede estadual paulista relataram ter sintomas ligados à depressão e à ansiedade.

Durante o primeiro ano da pandemia, houve um aumento global de 20% nos sintomas de ansiedade. Além disso, o afastamento social comprometeu o desenvolvimento de habilidades fundamentais para lidar com situações do cotidiano escolar.

Já não é mais novidade que os períodos de isolamento social e de retomada das atividades pós-pandemia de Covid-19 impactaram significativamente a saúde mental e emocional de muitas pessoas, da criança ao adulto. No entanto, mesmo em 2024, a crise de saúde mental continua sendo preocupante, inclusive no ambiente escolar.

  • Cerca de 11,63% das pessoas entre 5 e 24 anos (293 milhões) apresenta pelo menos um transtorno mental, de acordo com estudo da UFRGS publicado na revista Jama Psychiatry;
  • Entre adolescentes de 15 a 19 anos, os transtornos com maior impacto são depressão, ansiedade e transtorno de conduta, segundo o mesmo estudo;
  • A profissão docente é considerada pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) uma das mais estressantes. 112 professores são afastados por dia em São Paulo por problemas de saúde mental;

Sobre este cenário, “ajudar os estudantes a compreender a emoção e entender por que ela acontece é um primeiro passo para que eles estejam mais conscientes de como lidam com a ansiedade”, explica Carla Meira, Mestre e doutora em Educação e gerente de projetos na NeuroConecte. Educadores podem também ajudar na reflexão sobre quais ações podem ser tomadas.

Baixe o e-book gratuito da NeuroConecte:

Não é papel da escola identificar sintomas, mas é importante que professores sejam capazes de perceber sinais e trabalhar com recursos de prevenção e intervenção:

Recursos de Prevenção

São os recursos que podemos praticar ou ampliar antes dos eventos para que não nos sintamos ansiosos ou para que a ansiedade seja menos intensa. Isso envolve, por exemplo, nos prepararmos melhor previamente para a situação, incluir na rotina práticas de relaxamento que favoreçam a autorregulação, entre outros.

E como o professor pode estimular os estudantes a desenvolverem a autorregulação para lidar melhor com a ansiedade? Vamos apresentar três dicas:

  • Meditação e atenção plena (Mindfulness): por meio de técnicas meditativas e de atenção plena, é possível melhorar não só a concentração, como também o bem-estar emocional. Através do mindfulness, “desaceleramos o fazer e cultivamos o ser e o estar, ou seja, chegamos a um estado de maior consciência”, explica Adriana Fóz, neuropsicóloga, psicopedagoga e diretora da NeuroConecte.

A ansiedade em níveis controlados é uma resposta de proteção do nosso corpo, mas do contrário, é externalizada como preocupação, medo ou desconforto excessivo por algo que ainda nem aconteceu.

“O mindfulness nos ajuda a tomar consciência e aceitar uma experiência em vez de reagir a ela, o que torna sua carga menos negativa.” – Adriana Fóz, Diretora da NeuroConecte.

  • Conscientização emocional: Para manejar as emoções, precisamos primeiro reconhecê-las e identificá-las, e isso só é possível se ficarmos atentos a nossas sensações, percepções, pensamentos, emoções e sentimentos. Por isso, ajude os alunos a reconhecer e nomear suas emoções, bem como a entender como essas emoções podem afetar o dia a dia dentro e fora da escola. Isso pode incluir atividades de reflexão, diários emocionais, discussões em grupo, entre outros.
  • Organização e planejamento: Ensine aos alunos técnicas de organização e planejamento, como a criação de listas de tarefas, calendários de prazos e uso de agendas, para ajudá-los a gerenciar melhor seu tempo e reduzir o sentimento de sobrecarga. Essas orientações também são importantes para você, educador.

Recursos de Intervenção

São aqueles que usamos quando lidamos com uma situação que gera ansiedade. Por exemplo, identificar os problemas reais e pensar em soluções possíveis, usar pensamentos para se acalmar e procurar ter atitudes mais positivas.

Para isso, o professor pode trabalhar com os estudantes em sala de aula atividades que estimulem o pensamento crítico e analítico, que ajudam a identificar o problema e encontrar soluções possíveis para resolvê-lo.

Aproveite este assunto para assistir a websérie da NeuroConecte sobre saúde mental nas escolas: