Por que ensinar os estudantes a lidar melhor com suas emoções favorece o desenvolvimento integral?

Por que ensinar os estudantes a lidar melhor com suas emoções favorece o desenvolvimento integral?

Por que ensinar os estudantes a lidar melhor com suas emoções favorece o desenvolvimento integral?

Autogestão, autoconsciência, consciência social, habilidades de relacionamento e autoconhecimento estão entre as 10 competências socioemocionais descritas pela BNCC (Base Nacional Comum Curricular). Entendemos que “conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas” são habilidades que contribuem para o desenvolvimento integral do estudante.

“Vamos vivenciar emoções por toda a vida, mas se pudermos aprender a reconhecer, pensar e vivenciar de modo mais assertivo para cada um, e na convivência consigo e com os outros, estaremos construindo o desenvolvimento integral e as bases da boa saúde mental”. — Adriana Fóz, neuropsicóloga, especialista em educação emocional e diretora da NeuroConecte.

Ensinar os estudantes a lidarem melhor com suas emoções favorece o desenvolvimento integral por razões que vão além da vida acadêmica. O estudante que aprende a perceber, identificar e manejar as próprias emoções tem mais recursos e ferramentas de proteção para cuidar da saúde mental e do bem-estar.

Conhecer as próprias emoções e as formas como as expressamos traz benefícios como:

  1. Controlar melhor a expressão da emoção, sabendo como dosá-la de acordo com a situação em que está vivendo;
  2. Desenvolver novas maneiras de lidar com as emoções, sejam elas agradáveis ou não;
  3. Saber reconhecer os sinais de cada emoção, tendo consciência delas no momento em que ocorrem.

O cérebro de uma criança e um adolescente ainda não está completamente formado. Na verdade, a infância e adolescência são períodos de muitas alterações comportamentais, físicas e emocionais. E tudo isso pode gerar confusão e conflitos internos que os jovens não estão preparados para lidar.

Ensinar os estudantes a lidar melhor com suas emoções, a percebê-las e nomeá-las vai ajudá-los a trilharem os próprios caminhos para a solução dos problemas que enfrentam e das frustrações que vivem.

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Mas para ensinar, é importante que o professor tenha a percepção sobre as próprias emoções e, a partir disso, trabalhe estratégias de aprendizagem socioemocional com seus alunos.

“Perceber, identificar e lidar com suas emoções amplia o repertório de ações mais assertivas. As emoções podem ser mediadas pela construção do pensamento, ou ainda, da mente que pensa e que vai atribuindo significados, comunicando e resolvendo situações conflituosas”. —  Alcione Marques, psicopedagoga e diretora da NeuroConecte.

É o que chamamos de PIM: PERCEBER, IDENTIFICAR E MANEJAR. Entenda como você, educador, pode trabalhar as estratégias de compreensão emocional com seus alunos de maneira lúdica e de fácil memorização.

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O que é o PIM da NeuroConecte?

O termo foi criado por Adriana Fóz, neuropsicóloga, especialista em educação emocional e diretora da NeuroConecte. “O PIM envolve um conjunto de estratégias que nos ajudam a ampliar nossa capacidade de entender as emoções, independente de quais sejam”, explica.

Para ensinar os estudantes a lidar melhor com suas emoções, favorecendo o desenvolvimento integral, vamos sugerir quatro exercícios que ajudam na percepção, identificação e manejo emocional:

  1. Percebendo reações físicas

Escolha uma situação que desperte a emoção com a qual deseja lidar, reflita sobre ela e perceba todas as partes do seu corpo que reagem sobre esta emoção. Descreva quais são os sentimentos e o que é são mais afetados pelo medo, pela preocupação e estresse.

O cérebro estressado não aprende porque não consegue manter o foco e a concentração. Então, se percebemos nossas emoções em situações estressantes e temos a capacidade de controlá-las, a aprendizagem se torna mais prazerosa e efetiva.

  1. Estimule uma reflexão construtiva

Aprofunde os questionamentos sobre essas emoções. Se você escolheu o medo, por exemplo, faça perguntas: por que isso me dá medo? Do que estou com medo? Fazendo essa reflexão toda vez que sentir essa emoção, você se conhecerá melhor e aumentará sua capacidade de lidar com ela.

  1. Oriente a escrita e o diálogo sobre a emoção

Há muitas maneiras de expressar o que sente. Pode ser através do diálogo, do comportamento e até mesmo da escrita. Escrever e falar sobre suas emoções pode trazer mais confiança para lidar com os efeitos negativos do que está sentindo.

  1. Indique a prática da meditação e atenção plena

A meditação ou o mindfulness (atenção plena) são práticas de conexão da sua mente com o seu corpo e com o agora. É uma forma de desacelerar e organizar os pensamentos que surgem durante o momento de estresse e desafio.

Todos esses exercícios podem ser alinhados às suas práticas pedagógicas, mas também podem ser praticados por você, professor(a), que também enfrenta muitas emoções no dia a dia. Se você quer se aprofundar mais neste assunto, ampliando o conhecimento sobre as emoções para ensinar e aprender melhor, leia o livro escrito pelas diretoras da NeuroConecte, Adriana Fóz e Alcione Marques:

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Quais recursos o professor pode utilizar para lidar com a ansiedade dos alunos?

Quais recursos o professor pode utilizar para lidar com a ansiedade dos alunos?

Quais recursos o professor pode utilizar para lidar com a ansiedade dos alunos?

Um mapeamento feito pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, em parceria com o Instituto Ayrton Senna, divulgado em abril de 2022, identificou que 69% dos estudantes da rede estadual paulista relataram ter sintomas ligados à depressão e à ansiedade.

Durante o primeiro ano da pandemia, houve um aumento global de 20% nos sintomas de ansiedade. Além disso, o afastamento social comprometeu o desenvolvimento de habilidades fundamentais para lidar com situações do cotidiano escolar.

Já não é mais novidade que os períodos de isolamento social e de retomada das atividades pós-pandemia de Covid-19 impactaram significativamente a saúde mental e emocional de muitas pessoas, da criança ao adulto. No entanto, mesmo em 2024, a crise de saúde mental continua sendo preocupante, inclusive no ambiente escolar.

  • Cerca de 11,63% das pessoas entre 5 e 24 anos (293 milhões) apresenta pelo menos um transtorno mental, de acordo com estudo da UFRGS publicado na revista Jama Psychiatry;
  • Entre adolescentes de 15 a 19 anos, os transtornos com maior impacto são depressão, ansiedade e transtorno de conduta, segundo o mesmo estudo;
  • A profissão docente é considerada pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) uma das mais estressantes. 112 professores são afastados por dia em São Paulo por problemas de saúde mental;

Sobre este cenário, “ajudar os estudantes a compreender a emoção e entender por que ela acontece é um primeiro passo para que eles estejam mais conscientes de como lidam com a ansiedade”, explica Carla Meira, Mestre e doutora em Educação e gerente de projetos na NeuroConecte. Educadores podem também ajudar na reflexão sobre quais ações podem ser tomadas.

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Não é papel da escola identificar sintomas, mas é importante que professores sejam capazes de perceber sinais e trabalhar com recursos de prevenção e intervenção:

Recursos de Prevenção

São os recursos que podemos praticar ou ampliar antes dos eventos para que não nos sintamos ansiosos ou para que a ansiedade seja menos intensa. Isso envolve, por exemplo, nos prepararmos melhor previamente para a situação, incluir na rotina práticas de relaxamento que favoreçam a autorregulação, entre outros.

E como o professor pode estimular os estudantes a desenvolverem a autorregulação para lidar melhor com a ansiedade? Vamos apresentar três dicas:

  • Meditação e atenção plena (Mindfulness): por meio de técnicas meditativas e de atenção plena, é possível melhorar não só a concentração, como também o bem-estar emocional. Através do mindfulness, “desaceleramos o fazer e cultivamos o ser e o estar, ou seja, chegamos a um estado de maior consciência”, explica Adriana Fóz, neuropsicóloga, psicopedagoga e diretora da NeuroConecte.

A ansiedade em níveis controlados é uma resposta de proteção do nosso corpo, mas do contrário, é externalizada como preocupação, medo ou desconforto excessivo por algo que ainda nem aconteceu.

“O mindfulness nos ajuda a tomar consciência e aceitar uma experiência em vez de reagir a ela, o que torna sua carga menos negativa.” – Adriana Fóz, Diretora da NeuroConecte.

  • Conscientização emocional: Para manejar as emoções, precisamos primeiro reconhecê-las e identificá-las, e isso só é possível se ficarmos atentos a nossas sensações, percepções, pensamentos, emoções e sentimentos. Por isso, ajude os alunos a reconhecer e nomear suas emoções, bem como a entender como essas emoções podem afetar o dia a dia dentro e fora da escola. Isso pode incluir atividades de reflexão, diários emocionais, discussões em grupo, entre outros.
  • Organização e planejamento: Ensine aos alunos técnicas de organização e planejamento, como a criação de listas de tarefas, calendários de prazos e uso de agendas, para ajudá-los a gerenciar melhor seu tempo e reduzir o sentimento de sobrecarga. Essas orientações também são importantes para você, educador.

Recursos de Intervenção

São aqueles que usamos quando lidamos com uma situação que gera ansiedade. Por exemplo, identificar os problemas reais e pensar em soluções possíveis, usar pensamentos para se acalmar e procurar ter atitudes mais positivas.

Para isso, o professor pode trabalhar com os estudantes em sala de aula atividades que estimulem o pensamento crítico e analítico, que ajudam a identificar o problema e encontrar soluções possíveis para resolvê-lo.

Aproveite este assunto para assistir a websérie da NeuroConecte sobre saúde mental nas escolas: