“Comprometer-se pessoalmente com sua saúde e seu bem-estar é uma atitude que pode ter impactos importantes em qualquer pessoa”, afirma Alcione Marques, psicopedagoga e diretora da NeuroConecte. A profissão docente é uma das mais estressantes, afinal, o professor lida com um misto de emoções e experiências diariamente.

Muito se fala sobre a importância de valorizar o professor, melhorar sua remuneração e formação. E, sim, essa atenção aos educadores é fundamental. No entanto, também é importante cultivar o olhar para dentro, para a dimensão emocional do professor.

Como está a saúde mental do professor atualmente?

Reconhecemos a nobreza e a importância do papel do professor na sociedade. No entanto, também entendemos que professores estão expostos a uma grande demanda emocional, positiva ou negativa, na interação com os alunos, colegas, pais e gestores escolares.

Veja alguns dados dos últimos três anos sobre a saúde mental do professor:

  • Em 2020, no pico da pandemia, 30% dos educadores avaliaram seu estado de saúde mental como “ruim” ou “muito ruim” (Fonte: Nova Escola e Instituto Ame Sua Mente).
  • Em 2022, o indicador diminuiu para 21,5%. Mas, ainda assim, é um número preocupante para o bem-estar do professor (Fonte: Nova Escola e Instituto Ame Sua Mente).
  • Em 2023, cerca de 20 mil professores foram afastados por questões relacionadas à saúde mental. Um aumento de 15% em comparação a 2022 (Fonte: TV Globo via Lei de Acesso à Informação).

Em entrevista para o G1, um professor relata que “a pressão é grande. E, às vezes, você não tem respaldo da direção da escola, você não tem respaldo dos demais professores. Você fica isolado”. A escola promotora de saúde tem seus princípios no desenvolvimento da autoestima e da autonomia, com olhar ampliado para as dimensões socioculturais, ambientais e emocionais dos estudantes e também dos professores.

É responsabilidade da escola identificar questões de saúde mental? Não exatamente, mas o gestor escolar pode estar atento a perceber sinais e promover ações de conscientização e autocuidado.

De acordo com o estudo da Nova Escola em parceria com o Instituto Ame Sua Mente, as principais queixas dos professores sobre a saúde mental são:

  • Sentimentos intensos e frequentes de ansiedade (60%)
  • Baixo rendimento e cansaço excessivo (48%)
  • Dificuldades para dormir (41%)
  • Dificuldade de socialização, isolamento e sensação permanente de tristeza.

Se o professor não se sente bem com ele mesmo e não tem controle sobre as próprias emoções, como esperar que tenha recursos para conduzir as aulas e manter a qualidade do ensino?

“Há evidências de que professores com mais habilidades socioemocionais relacionam-se melhor com os alunos, são mais aptos a criar um bom clima em sala de aula, a motivar os estudantes, apoiá-los em situações de conflito e, especialmente, a se tornar modelo positivo de comportamento” — Alcione Marques, Diretora da NeuroConecte.

Aproveite e confira também:

4 ações de autocuidado para a promoção da saúde mental do professor

  1. Estabeleça limites claros

Definir limites entre o trabalho e a vida pessoal é fundamental. Estabelecer horários específicos para o trabalho e reservar momentos exclusivos para atividades pessoais ajuda a evitar a sobrecarga. Desconectar-se digitalmente após o expediente também é crucial para permitir períodos de descanso adequados.

  1. Conte com a rede de apoio

Criar e manter uma rede de apoio é essencial para a saúde mental do professor. Compartilhar experiências e desafios com colegas possibilita a troca de experiências e promove um ambiente de compreensão mútua. Isso não apenas alivia o isolamento muitas vezes enfrentado pelos educadores, mas também fortalece os laços profissionais e pessoais.

  1. Priorize o desenvolvimento pessoal

Investir tempo no próprio crescimento pessoal e profissional é uma forma eficaz de autocuidado. Participar de cursos, formações continuadas e atividades que promovam o desenvolvimento não apenas aprimora as habilidades do professor, mas também revitaliza a paixão pelo ensino. Esse investimento pessoal é fundamental para manter a motivação e a satisfação no trabalho.

  1. Faça pausas saudáveis

Incluir práticas de relaxamento na rotina diária é essencial para reduzir o estresse e promover o equilíbrio emocional. Técnicas como meditação, respiração profunda, ou simples momentos de pausa durante o dia são estratégias muito importantes. Essas práticas não exigem muito tempo, mas oferecem benefícios significativos para a saúde mental, ajudando o professor a enfrentar desafios com maior controle e tranquilidade.

Aproveite e confira também:

“A autoconsciência permite antecipar as emoções que podem surgir em certas situações e interações na prática pedagógica, bem como sua reação, levando ao desenvolvimento da autorregulação emocional” — Alcione Marques, Diretora da NeuroConecte.

Quer saber mais sobre este assunto? Então assista a um dos episódios da websérie que preparamos para educadores, sobre a Saúde Mental e Emocional nas Escolas:

  1. 03 | Você se frustra no seu trabalho como educador? | NeuroConecte

Aproveite e conheça também os livros: