As emoções interferem em tudo nas nossas vidas, de acordo com Adriana Fóz, neuropsicóloga, especialista em educação emocional e diretora da NeuroConecte. Não à toa a dimensão emocional tem ganhado uma proporção relevante no espaço escolar, tornando necessária a aprendizagem socioemocional como abordagem pedagógica.

Na BNCC (Base Nacional Comum Curricular), estão descritas 10 competências gerais que os estudantes precisam desenvolver, e em todas elas estão presentes as competências socioemocionais:

  1. Autoconsciência: Envolve o conhecimento de cada pessoa, bem como de suas forças e limitações, sempre mantendo uma atitude otimista e voltada para o crescimento.
  2. Autogestão: Relaciona-se ao gerenciamento eficiente do estresse, ao controle de impulsos e à definição de metas.
  3. Consciência Social: Necessita do exercício da empatia, do colocar-se “no lugar dos outros”, respeitando a diversidade.
  4. Habilidades de relacionamento: Relacionam-se com as habilidades de ouvir com empatia, falar clara e objetivamente, cooperar com os demais, resistir à pressão social inadequada (ao bullying, por exemplo), solucionar conflitos de modo construtivo e respeitoso, bem como auxiliar o outro quando for o caso.
  5. Tomada de decisão responsável: Preconiza as escolhas pessoais e as interações sociais de acordo com as normas, os cuidados com a segurança e os padrões éticos de uma sociedade.

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  • No entanto, ainda segundo a BNCC, compreender o conceito de competências socioemocionais envolve o estudo das emoções. Mas e as emoções do educador? Como ele poderá ensinar se não recebe formação para que conheça e desenvolva sua própria dimensão emocional?

    “Conhecer melhor as emoções, o modo como elas estão imbricadas na racionalidade e suas relações com o aprendizado certamente contribui para o educador pensar em ações pedagógicas mais assertivas” — Alcione Marques, psicopedagoga e diretora da NeuroConecte.

    Competências emocionais são fatores de proteção tanto ao estudante, como ao professor

    O bem-estar dos educadores é um componente essencial para estabelecer um clima escolar saudável. Ele influencia diretamente na satisfação profissional e na diminuição dos índices de absenteísmo. Abordar o bem-estar implica em enfrentar e lidar com as frustrações inerentes ao papel de educador.

    Diariamente, os professores lidam com desafios e frustrações variadas, seja com a performance ou comportamento do estudante, ou com a sensação de insuficiência no auxílio que gostariam de prestar. Aprender a lidar com essas frustrações é fundamental para a saúde mental do educador, ajudando a manter o equilíbrio emocional.

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  • É aí que a resiliência e a empatia desempenham um papel importante, auxiliando na compreensão do outro e minimizando a própria frustração! As emoções permeiam nosso ambiente, envolvendo não só o educador e o estudante, mas todos presentes na escola. Todos desempenham um papel nesta dinâmica, que tem potencial para fortalecer, preparar e promover maior conhecimento. O educador precisa estar ciente de seus limites, mas também de suas possibilidades, o que favorece uma ação mais potente e mais condizente com a realidade.

    Assim, o desenvolvimento das competências socioemocionais é um recurso protetivo para a saúde mental do educador. Pode-se entender que as competências atribuídas na BNCC para o desenvolvimento dos estudantes também valem para o educador:

    • Autoconhecimento: a habilidade de reconhecer e apoiar-se em seus pontos fortes e identificar suas fragilidades. 
    • Autorregulação: a capacidade de perceber e identificar suas emoções, reduzindo reações automáticas e ampliando seu repertório de comportamentos. 
    • Resiliência: a capacidade de lidar de maneira positiva com os desafios, administrar suas emoções e manter-se sereno e otimista frente às situações difíceis. 
    • Estratégias para lidar com o estresse: ações para melhorar seu estado físico, mental e emocional, bem como enfrentar melhor as situações estressantes.
    • Consciência social e habilidades de relacionamento.

    Quer saber como treinar estas e outras competências emocionais na prática? Conheça o livro “Educação Emocional para Professores”, escrito e organizado pelas diretoras da NeuroConecte, Adriana Fóz e Alcione Marques.