Home | A Neuroconecte | Atuação | Palestras | Cursos | Artigos | Notícias | Neuroconectados | Contato

Por muito tempo, as questões relacionadas à fé e a espiritualidade faziam parte de um âmbito que não dialogava com a Ciência, com a Medicina e com a Saúde.

As pessoas não falavam suas crenças espirituais ou religiosas com médicos ou outros profissionais da área e, quando o faziam, era comum que sua fala fosse ignorada ou tratada como algo de pouco valor, como uma dimensão que nada tinha a ver com a saúde ou com a cura de doenças.

No entanto, a posição da Ciência em relação à fé, à religiosidade e à espiritualidade vem mudando nos últimos anos. Alguns pesquisadores da área da saúde hoje falam sobre a “saúde espiritual” como uma das dimensões da saúde integral e ter espiritualidade ou fé é considerado com um fator de proteção para a saúde mental.

Vale diferenciar aqui religião e espiritualidade. A religião refere-se normalmente a uma prática organizada socialmente, baseada em crenças e tradições e associada a cerimônias ou rituais. Já a espiritualidade se relaciona com um senso de conexão individual com algo transcendente, que dá sentido à vida, levando a um sentimento de pertencimento e de aceitação profundos. Ambas buscam enfatizar o sentido mais profundo da vida e seu propósito.

Pesquisas têm mostrado que, para alguns pacientes, estes aspectos transcendentes são recursos valiosos para lidar com situações de adoecimento e auxiliam no enfrentamento de momentos difíceis na vida, que impõem alto nível de estresse. Evidenciam também a correlação entre espiritualidade, propósito de vida e bem-estar.

Desse modo, vale a pena pensarmos como nos relacionamos com esta dimensão humana: a transcendência. É um conceito amplo que envolve considerar o que está para além da vida material e tangível, e relaciona-se com o que acreditamos, temos fé. Pode envolver uma prática religiosa, com a qual tenhamos afinidade, mas não necessariamente.

É uma trajetória pessoal e íntima, embora seja influenciada pelos grupos com os quais convivemos, pela nossa cultura e que pode mudar ao longo da vida. É algo que envolve a capacidade de nos interiorizarmos e trazermos questões profundas sobre o sentido da vida e o que está além dela. Pode também se traduzir em uma busca por conhecimento, por concepções religiosas diferentes e por práticas que nos ajudem a encontrar a espiritualidade com a qual tenhamos mais afinidade.

Eu pessoalmente tenho experimentado nos últimos 25 anos um fortalecimento da minha espiritualidade, embora não professe nenhuma religião formal. É algo que tem me ajudado muito a lidar com momentos difíceis e contribuído enormemente para minha paz interior.

E você, como lida com a transcendência? Quanto tempo dedica à sua dimensão espiritual?

Como mostra a Ciência, esse pode ser um recurso importante para nossa felicidade.

 

 


Por Alcione Marques

Referências:

DEIN, Simon et al. Religion, spirituality and mental health. The psychiatrist, v. 34, n. 2, p. 63-64, 2010.

DHAR, Neera et al. Spiritual health, the fourth dimension: a public health perspective. WHO South-East Asia Journal of Public Health, v. 2, n. 1, p. 3, 2013.

KASHDAN, Todd B.; NEZLEK, John B. Whether, when, and how is spirituality related to well-being? Moving beyond single occasion questionnaires to understanding daily process. Personality and Social Psychology Bulletin, v. 38, n. 11, p. 1523-1535, 2012.

MIGDAL, Lori; MACDONALD, Douglas A. Clarifying the relation between spirituality and well-being. The Journal of nervous and mental disease, v. 201, n. 4, p. 274-280, 2013.