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Quando pensamos sobre o que poderia nos fazer mais felizes neste novo ano, é possível que tenhamos incluído na lista termos menos estresse.

Dizer que está estressado se tornou quase que um lugar comum, um estilo de vida entre os adultos – e vemos crianças e adolescentes repetindo esse comportamento. É possível que, em alguma medida, muitos considerem que viver com altos níveis de estresse seja algo do qual não temos muito como fugir (a não ser quando estamos em férias).

Quando alguém diz “há muito estresse no meu dia-a-dia” o que de fato ela quer dizer é que há muitos estressores em seu cotidiano, ou seja, diversas circustâncias que a desafiam ou demandam.

O estresse, diferente do que muitos pensam, é algo natural e necessário. Em termos gerais, o estresse é uma resposta neurofisiológica do organismo frente a um desafio ou uma ameaça, resposta adaptativa que mobiliza o organismo para lidar com a situação. E nosso organismo está preparado para experimentar experiências estressoras e depois voltar a seu equilíbrio.

O estresse se torna prejudicial quando frequentemente é intenso, tornando-se crônico e comprometendo a saúde física, mental a qualidade de vida. Além disso, diminui a criatividade e a capacidade de aprendizagem.

É importante dizer que certo evento estressor não gerará necessariamente em todas as pessoas a mesma experiência de estresse. Isso dependerá de fatores como o contexto, os recursos que o indivíduo dispõe, o suporte social, entre outros que podem fazer com que um evento seja percebido como um desafio para alguém – que tenha recursos para lidar com o mesmo – ou como ameaça por outro – que se perceba sem estas condições. Assim, uma situação que pode ser altamente estressante para uma pessoa não será para outra.

Uma das formas para lidar melhor com os eventos estressores é desenvolver recursos para lidar melhor com situações desafiadoras para que o estresse seja menos intenso e menos prolongado.

Estes recursos podem estar mais relacionados com o contexto, como suporte familiar, social, educação, etc. Também envolvem certas habilidades individuais para lidar melhor com eventos estressores:

  • ser capaz de identificar problemas reais
  • pensar em diversas soluções, escolhendo a que não só seja mais vantajosa, mas que gere menor dano
  • planejar e executar soluções
  • ser capaz de encontrar recursos em seu meio que o ajudem a lidar com os desafios
  • desenvolver a resiliência: a capacidade de passar por um problema, adaptar-se a mudanças e superar obstáculos
  • saber lidar com emoções agradáveis e desagradáveis
  • manter uma postura otimista frente à vida
  • ter uma crença ou fé em algo transcendente

 

Muitas vezes não conseguimos mudar as circunstâncias, mas é possível, em alguma medida, mudarmos o modo como lidamos com elas, aprimorando estes recursos internos.

Neste ano que se inicia, procure identificar os recursos com os quais você pode contar a sua volta e aqueles que você considera que tem internamente. Lembre de situações difíceis e como você utilizou destes recursos para superá-las. Relacione também outras habilidades que você considera que poderia aprimorar para fortalecer-se frente aos desafios, pense de que forma pode desenvolvê-las – leituras? aconselhamento? fazer cursos? fazer terapia?

Estabeleça metas e observe como você se sai frente aos desafios que surgirão. Não desanime! Este é um esforço que trará como recompensa mais saúde e mais felicidade.


Por Alcione Marques

Referências

Glanz, Karen, and Marc D. Schwartz. “Stress, coping, and health behavior.” (2008).

Wheaton, Blair, and Shirin Montazer. “Stressors, stress, and distress.” A handbook for the study of mental health: Social contexts, theories, and systems (2010): 171-199.