O Brasil é um dos países com maiores índices de violência escolar. Segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (PeNSE), 40% dos estudantes admitem ter sofrido bullying. A violência também transcende para o ambiente digital. Já de acordo o levantamento do Instituto Ipsos, somos o segundo país do mundo que mais registra casos de cyberbullying.

No início deste ano, foi sancionada a lei que criminaliza as práticas de Bullying e Cyberbullying, que agora prevê pena de multa e prisão para os praticantes. Neste artigo, vamos entender de que modo o professor e a escola podem se preparar para lidar com a violência e como podem identificar os casos.

Importante ressaltar que ter empatia para identificar estes casos também é necessário, é um olhar que vai além do julgamento. Afinal, muitas vezes, o bullying afeta tanto quem sofre como quem pratica.

Qual é a definição de bullying e cyberbullying na legislação?

  • Bullying: intimidar sistematicamente, individualmente ou em grupo, mediante violência física ou psicológica, uma ou mais pessoas, de modo intencional e repetitivo, sem motivação evidente, por meio de atos de intimidação, de humilhação ou de discriminação, ou de ações verbais, morais, sexuais, sociais, psicológicas, físicas, materiais ou virtuais.
  • Cyberbullying: intimidação sistemática por meio virtual. Se for realizado por meio da internet, rede social, aplicativos, jogos on-line ou transmitida em tempo real, a pena será de reclusão de dois a quatro anos, e multa, se a conduta não constituir crime mais grave.

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  1. 02 | Existe escola sem bullying? – NeuroConecte

O que pode levar um jovem a praticar o bullying e cyberbullying?

Assim como é importante nos atentar aos impactos físicos e psicológicos que a vítima sofre com a violência – seja no ambiente escolar ou nas redes sociais -, não podemos deixar de olhar para as emoções de quem pratica.

Para isso, podemos começar com algumas perguntas:

  • A criança ou adolescente que pratica o bullying fica realmente feliz ao fazer mal a outra pessoa?
  • O que leva um jovem a praticar o bullying?
  • Busca por popularidade e sentimento de poder? Reflexos de baixa autoestima?
  • Será que o comportamento agressivo tem relação com conflitos familiares?

Todos os envolvidos no bullying (vítima, praticante e testemunhas) são impactados cognitiva e psicologicamente. Por isso, se a escola identificar casos de violência, é fundamental dar suporte a quem sofre e entender as causas de quem pratica, como por exemplo:

  • Tenha uma conversa franca com o agressor, deixando clara a gravidade da situação e a posição da escola sobre casos de violência.
  • Além disso, é fundamental ter um espaço de escuta ativa. Questione como o jovem que praticou o bullying se sente e o que o levou a praticar o ato, validando seus sentimentos, mas não a ação.
  • Envolva a família. É importante convidar os pais e responsáveis para uma conversa, que pode acontecer com a presença do agressor. Nesta conversa, é fundamental apresentar os fatos e permitir que o estudante também conte sua versão, mas lembre-se de manter uma postura aberta e não gerar um ambiente de culpa e julgamento.

Como o professor e a escola podem identificar casos de bullying e cyberbullying?

Existem algumas atitudes típicas que caracterizam o bullying, como:

  • Física: rasteiras, empurrões, puxões de cabelo, beliscões e agressão física;
  • Verbal: xingamentos, ameaças, provocações e apelidos pejorativos;
  • Relacional: isolamento e exclusão do colega, difamações e mentiras;
  • Cyberbullying: a violência pode ter as mesmas características verbais e relacionais, mas no ambiente digital.

No entanto, esse tipo de agressão não acontece sob os olhos da família e de professores. Principalmente o cyberbullying, esses atos de violência acontecem de forma silenciosa. Então, como identificar os sinais e intervir?

De acordo com Alcione Marques e Gustavo Estanislau, autores do livro “Dilemas da Educação”, sinais relacionados a altos níveis de estresse e aversão à escola ou à vida social podem ser sugestivos de bullying.

“Pessoas que vêm enfrentando essa situação costumam apresentar mudanças no padrão do sono e/ou da alimentação; alterações de humor; queda no rendimento escolar por diversos motivos, como falta de concentração, desmotivação, estresse e medo; evitação escolar com surgimento de desculpas para não ir à escola; isolamento social, entre outros exemplos.”

3 dicas de atividades coletivas para combater o bullying e cyberbullying

  1. Programas de treinamento de habilidades socioemocionais com embasamento científico, em que os participantes são estimulados a desenvolver aspectos promotores de saúde mental.
  2. 2. Campanhas escolares que questionem a crença de que a agressividade é uma atitude aceitável para alcançar determinados objetivos e para se comunicar.
  3. 3. Rodas de conversa envolvendo toda comunidade escolar (estudantes, pais, professores e demais colaboradores) em discussões sobre valores como amizade, respeito ao próximo e segurança.

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