Após notícia da tragédia, escolas devem acolher e ouvir seus alunos

escola raul brasil - suzano

Por Edu Garcia/ Portal R7.

Para especialistas, momento é importante para que crianças e adolescentes possam falar sobre a ansiedade gerada após massacre em Suzano

Massacre em Suzano: crianças precisam ser ouvidas

Massacre em Suzano: crianças precisam ser ouvidas

Acolhimento e conversa franca esse é o caminho que especialistas apontam para lidar com crianças e adolescentes após a tragédia que tirou a vida de dez pessoas na escola estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, na última quarta-feira (13).

Segundo Ivone Regina Scatolin Serra Psicopedagoga Clínica e Institucional e membro da equipe da NeuroConecte, crianças e adolescentes estão mais expostos e, sim, por mais que os pais monitorem, as notícias chegam até eles.

“Episódios traumáticos, que geram comoção social também impactam as crianças, nem tudo está sob o nosso controle e se o que ocorreu é difícil para os adultos entenderem, é muito mais complexo para os mais novos, que são mais vulneráveis”, explica.

E como a escola pode lidar com essa situação? Para Ivone é importante que os professores estejam dispostos a ouvir, tirar dúvidas e acolher os alunos. “Quando há questionamentos ou inquietação, a escola precisa estar aberta a mudar sua rotina, abrir espaço para uma roda de conversa e deixar que as crianças apresentem suas questões, que falem o que estão sentindo, que coloquem para fora suas emoções e sentimentos”.

Para o psicólogo Alexandre Bez, as crianças e os adolescentes precisam se sentir cuidados. “Diante de uma situação de stress como esta, mesmo para os estudantes que não estavam na escola atingida, é importante que tenham apoio, se sintam amados para que possam ter confiança e melhorar a estima”, explica. “Também é muito importante conversar, ouvir e também tirar o foco do problema, a escola deve realizar atividades recreativas e os pais darem a acolhida”.

Ivone ressalta que cabe aos pais o papel da escuta. “Não podemos fingir que nada aconteceu, é importante conversar, mostrar que o comportamento não é comum. É a hora de desligar a TV e ouvir os filhos”.

Tanto Bez como Ivone destacam é que importante observar o comportamento dos adolescentes. Mudanças merecem atenção. “Uma pessoa mais recolhida ou isolada ou mesmo nervosa precisa de cuidado e até mesmo de ajuda. Precisamos falar sobre a saúde mental e sobre educação emocional com nossos filhos”, diz Ivone.