A PLASTICIDADE CEREBRAL E A LEITURA

Por Adriana Fóz.

A neurociência vem se aproximando bastante da Educação e vice versa para explicar este misterioso desafio do cérebro humano, como a leitura.

 

O cérebro humano é organizado em áreas, além de outras organizações. Mas pasmem, não há uma destinada à leitura!

Segundo um dos mais importantes pesquisadores do tema, Stanislas Dehaene, nosso cérebro aprende a escrever por meio de um modelo de reciclagem neuronal que reproduz em alguns anos os ensaios e erros da evolução cultural da escrita, produzindo alterações nos circuitos visuais e linguísticos da criança. Ainda de acordo com Dehaene, aprender a ler só é possível porque o cérebro da criança insere estruturas neuronais apropriadas, sejam elas herdadas da evolução dos primatas, ou sejam resultado de uma aprendizagem anterior e que precisam ser estimuladas para a aprendizagem da competência lecto-escrita. Ler é efeito da aprendizagem e não simplesmente de uma maturação cerebral.

 

A leitura e a escrita, mais precisamente a habilidade lectoescrita, é produto do cérebro, por um lado e por outro, dos seres humanos, do homem social. Este mesmo cérebro apresenta uma faculdade de extrema valia: plasticidade cerebral. A plasticidade é a capacidade inerente do sistema nervoso para se adaptar, desenvolver e reabilitar. O ser humano modificou seu cérebro quando, por meio da plasticidade neuronal, criou novas circuitarias e arquiteturas cerebrais para ser capaz de ler.

 

E mais, a alfabetização modifica as regiões do cérebro aumentando conexões entre os dois hemisférios cerebrais. Logo a conversão grafema-fonema que é uma invenção única na história da escrita, é um processo não espontâneo, onde é preciso ensinar a criança.

 

Os efeitos positivos da escolarização e de competentes estratégias para o ensino da leitura são evidentes para os profissionais da equipe Neuroconecte, que trabalha com estes pressupostos e compreensões há mais de 20 anos. Ultimamente, pela exigência de pais e escolas muitos alunos acabam atropelando processos de letramento, sendo necessário ter por parte da escola e dos pais, cada qual com sua função, um olhar pertinente. Por exemplo, a Neuroconecte desenvolve um ciclo de workshops que contempla professores e uma palestras de sensibilização para os pais cuja temática é Letramento e Leitura.

 

Cientistas pesquisados

 1-Assis, O.Z.M. Neurociências e Educação. Unicamp, 2013 (pag. 38 a 47).

 2-Araujo, A. P. Aprendizagem infantil: uma abordagem da neurociência, economia e psicologia cognitiva. Academia Brasileira de Ciências, 2011        (pag. 48-60).

 3-Cosenza, R. Guerra, L. Neurociência e Educação. Artmed, 2011.

4-Dehaene, S. Os neurônios da leitura. Editora Penso, 2012.

5-Shore, R. Repensando o cérebro. Mercado Aberto, 2000.

6-Shaywitz et al., 2002.